21 de Abril de 2026

Há dois anos, em 19 de abril de 2024, o Bitcoin passou pelo seu quarto halving. No bloco 840.000, a recompensa por bloco minerado caiu de 6,25 BTC para 3,125 BTC, cortando pela metade a quantidade de novos bitcoins criados a cada ~10 minutos. O preço naquele dia era de US$ 64.262. Foi o primeiro halving da história a acontecer depois da aprovação dos ETFs spot nos EUA, e o primeiro em que o Bitcoin já tinha batido um novo recorde (US$ 73.800 em março) antes do evento (nos três halvings anteriores, o recorde sempre veio depois). Nos meses seguintes, o BTC subiu até US$ 126.000 em outubro de 2025, antes de cair para a faixa de US$ 60–75 mil onde opera hoje. O próximo halving está previsto para abril de 2028, quando a recompensa cairá para 1,5625 BTC por bloco. Dos 21 milhões de bitcoins que vão existir, mais de 20 milhões já foram minerados. A escassez é programada e a cada quatro anos, ela aperta.

US$ 2,54 bilhão

É o valor que a Strategy, de Michael Saylor, gastou em uma única semana para comprar 34.164 bitcoins, a um preço médio de US$ 74.395 por unidade. É a maior compra da empresa desde 2024. Com isso, a Strategy agora detém 815.061 BTC, quase 4% de todos os bitcoins que vão existir. O dinheiro veio da venda de ações STRC e MSTR. Na semana anterior, já tinha comprado US$ 1 bilhão. Na anterior a essa, US$ 330 milhões. A empresa acelerou o ritmo e mira chegar a 1 milhão de BTC até o fim de 2026, com quase US$ 49 bilhões em emissão de ações ainda autorizados para gastar.
fonte: Strategy / CoinDesk / SEC Filing

👉 Parece que eu estou me repetindo, né? Mas não. Entra semana, sai semana a Strategy, continua comprando. Como eu já disse na semana passada, colocando em perspectiva: 815.061 BTC é mais do que qualquer ETF, governo ou fundo detém. É mais do que as reservas estimadas de El Salvador, Butão e dos EUA combinadas.

Quer ir além dos posts? No YouTube, eu aprofundo tudo isso em vídeos, sem corte, sem pressa.

Receita Federal revela que brasileiros movimentaram R$ 505 bilhões em cripto em 2025 — recorde histórico

Dados consolidados da Receita Federal mostram que o mercado brasileiro de criptoativos movimentou R$ 505,5 bilhões em 2025, alta de 21,5% sobre os R$ 416 bilhões de 2024. O USDT liderou com folga: R$ 326,9 bilhões, o equivalente a 65% de todo o volume declarado. Em seguida vêm BTC (R$ 48 bilhões), USDC (R$ 33 bilhões), ETH (R$ 16,9 bilhões) e SOL (R$ 8,1 bilhões). Exchanges nacionais concentraram R$ 323,9 bilhões das transações. Pessoas jurídicas responderam por 98,3% do volume total. Em dezembro de 2025, a Receita registrou 3,5 milhões de CPFs e 67 mil CNPJs únicos com operações em cripto.
fonte: Exame / Livecoins / Receita Federal do Brasil
👉 O mercado cripto brasileiro já equivale a cerca de 10% de tudo que é negociado na B3. Só que o dado mais revelador não é o tamanho, é a composição. Mais de 70% do volume são stablecoins pareadas ao dólar. O brasileiro não está especulando com shitcoin. Está usando cripto como dólar digital: proteção cambial, remessas, operações corporativas fora do horário bancário. Enquanto o debate público ainda trata cripto como aposta, os dados da própria Receita mostram que virou infraestrutura financeira. E a partir de julho de 2026, a DeCripto entra em vigor com reporte mensal obrigatório alinhado ao padrão da OCDE. Quem não se adaptar vai ter problema com o fisco.

B3 amplia horário de negociação de futuros de cripto no Brasil até 20h

A B3 passou a operar com horário estendido para os contratos futuros de Bitcoin, Ethereum, Solana e ouro, levando a negociação até as 20h. A mudança entrou em vigor em 19 de abril e aumenta a janela operacional desses produtos em ambiente regulado, permitindo que investidores brasileiros operem derivativos de cripto em horário mais próximo ao do mercado internacional.
fonte: InfoMoney / B3
👉 Parece só um detalhe técnico, mas não é. Até agora, quem operava futuros de cripto na B3 ficava limitado ao horário comercial brasileiro, enquanto o mercado cripto funciona 24 horas. Ampliar até 20h significa que o investidor consegue reagir a movimentos do mercado americano sem precisar migrar pra uma exchange internacional. É mais um sinal de que a infraestrutura regulada brasileira está correndo pra acompanhar a demanda. O Brasil já tem 22 ETFs com exposição à cripto na B3, R$ 505 bilhões em volume declarado e agora horário estendido pra derivativos. É o sistema se adaptando pra não perder a onda cripto.

Circle processada em ação coletiva por não congelar US$ 230 milhões durante hack da Drift Protocol

Em 14 de abril, investidores da Drift Protocol entraram com uma ação coletiva contra a Circle, emissora do USDC, no tribunal federal de Massachusetts. A acusação: a Circle não congelou fundos roubados enquanto hackers, vinculados à Coreia do Norte, segundo a Elliptic, moviam US$ 230 milhões em USDC de Solana para Ethereum usando o próprio protocolo de transferência cross-chain da Circle (CCTP). O processo durou cerca de oito horas, com alertas públicos sendo feitos na primeira hora. A Circle não interveio. A empresa respondeu que só congela ativos quando legalmente obrigada por ordem judicial. Em contrapartida, a Tether ofereceu US$ 127,5 milhões para um plano de recuperação da Drift, com uma condição: a plataforma trocaria USDC por USDT como ativo de liquidação principal.
fonte: Decrypt / DL News / TheStreet Crypto
👉 O hack da Drift aconteceu em 1º de abril. O que entrou na semana foi o desdobramento: a ação judicial e a resposta da Tether. E o caso levanta uma pergunta que vai definir o futuro das stablecoins: quem tem o poder de apertar o botão de congelar e quando deve apertar? A Circle diz que só age com ordem da Justiça. A Tether age mais rápido, mas isso também significa que um único emissor pode travar seu dinheiro quando quiser. Não existe resposta fácil. O que existe é um precedente sendo construído agora, nos tribunais. E o resultado vai afetar todo mundo que usa stablecoin. Agora se você quer entender como hackers da Coreia do Norte, que mal têm iluminação no país, conseguem roubar tanto assim? Assiste esse vídeo que eu te explico tudo O SEGREDO da COREIA para ROUBAR BILHÕES em CRIPTO

ETF de Bitcoin do Morgan Stanley atinge US$ 100 milhões na primeira semana

O Morgan Stanley lançou seu ETF spot de Bitcoin, o MSBT, em 8 de abril, com uma taxa de administração de 0,14%, a mais baixa do mercado, cortando pela metade a taxa do IBIT da BlackRock. Na primeira semana de negociação, o fundo captou US$ 100 milhões em ativos, o que a CoinDesk descreveu como o lançamento mais forte do banco nesse formato. O movimento veio acompanhado: no mesmo dia em que o Morgan Stanley estreou, o Goldman Sachs protocolou na SEC seu próprio ETF de Bitcoin, o Goldman Sachs Bitcoin Premium Income ETF, que usa uma estratégia de venda de opções (covered calls) sobre ETFs spot para gerar renda mensal. Na semana de 14 de abril, ETFs spot de BTC nos EUA receberam US$ 1,1 bilhão em entradas líquidas, o maior fluxo semanal desde janeiro.
fonte: CoinDesk / Bloomberg / Reuters
👉 Dois anos atrás, Wall Street ainda debatia se Bitcoin era ativo legítimo. Hoje, Morgan Stanley e Goldman Sachs estão brigando por quem oferece o produto mais barato e mais sofisticado. O MSBT compete no preço. O Goldman compete no formato, empacotando Bitcoin como gerador de renda para o investidor conservador, o que um analista chamou de "boomer candy". O sinal não é só que bancos estão entrando em cripto. É que estão competindo dentro de cripto. Mas cuidado! ETF é “saborrr” Bitcoin, te explico melhor nesse vídeo aqui: ETF de BITCOIN é o Grande GOLPE do MERCADO FINANCEIRO

Estudo do FMI mostra que stablecoins já afetam rendimento de títulos do Tesouro dos EUA

Um paper técnico publicado pelo Fundo Monetário Internacional em 15 de abril detalha como choques de demanda por stablecoins como USDT e USDC afetam diretamente o rendimento dos títulos do Tesouro americano de curto prazo (T-bills). O mecanismo é direto: quando a capitalização das stablecoins cresce, os emissores precisam comprar mais T-bills para lastrear seus tokens. Essa demanda adicional pressiona os yields para baixo. O estudo conclui que o mercado de stablecoins, hoje em US$ 320 bilhões, já funciona como um comprador estrutural de dívida soberana americana, com impacto mensurável na curva de juros de curto prazo.
fonte: FMI (IMF Working Paper)
👉 É, meus amigos, uma moeda digital criada por empresas privadas de cripto já está influenciando o custo de financiamento do governo dos Estados Unidos. Não é teoria. É um paper do FMI com dados. A Tether sozinha detém mais títulos do Tesouro americano do que muitos países. Quando você compra USDT, indiretamente está financiando a dívida dos EUA. E quando muita gente resgata USDT ao mesmo tempo, isso pode pressionar o mercado de T-bills na direção oposta. Cripto deixou de ser um nicho isolado. Agora não tem mais volta, é um componente ativo da engrenagem macroeconômica global.

Halving

É quando a recompensa que os mineradores de Bitcoin recebem por validar transações é cortada pela metade. Isso acontece automaticamente a cada 210.000 blocos minerados, mais ou menos a cada quatro anos. Não depende de nenhum governo, empresa ou votação. Está escrito no código do Bitcoin desde o primeiro dia. O objetivo é simples: controlar a emissão de novos bitcoins e garantir que o total nunca passe de 21 milhões de unidades. Em 2009, a recompensa era de 50 BTC por bloco. Hoje, depois de quatro halvings, é de 3,125 BTC. O próximo está previsto para abril de 2028, quando cai para 1,5625 BTC. Historicamente, os halvings precederam os maiores ciclos de alta do Bitcoin; menos oferta nova com demanda igual ou maior tende a empurrar o preço pra cima.

⚠️ Kelp DAO: hacker drena US$ 292 milhões da maior bridge de restaking do ano e o contágio se espalhou pelo DeFi inteiro

Em 18 de abril, um atacante explorou uma falha na ponte cross-chain da Kelp DAO, construída com tecnologia LayerZero, e drenou 116.500 rsETH, cerca de US$ 292 milhões e aproximadamente 18% de todo o supply circulante do token. O hacker cunhou tokens sem lastro, usou como colateral no Aave e sacou ativos reais. O contágio foi imediato: o TVL do Aave caiu de US$ 26,4 bilhões para US$ 20 bilhões em horas, o token AAVE despencou mais de 18%, e protocolos como SparkLend e Fluid congelaram mercados emergencialmente. Kelp e LayerZero trocaram acusações públicas sobre quem era responsável pela configuração de segurança comprometida. Com esse incidente, abril de 2026 acumula mais de US$ 606 milhões em hacks, o pior mês desde o roubo de US$ 1,4 bilhão da Bybit em fevereiro de 2025.
fonte: CoinDesk / Bloomberg / BeInCrypto

🛡️ Regra de ouro: rendimento alto em DeFi sempre vem com risco técnico real. Antes de depositar em qualquer protocolo, pergunte: quem audita? Quantos verificadores protegem a bridge? O que acontece com meu dinheiro se o contrato for pausado? Se você não sabe responder, o rendimento não compensa o risco. E se o protocolo depende de uma bridge cross-chain para funcionar, o risco é dobrado, porque aí você não está confiando só em um smart contract, mas em toda a infraestrutura entre duas redes diferentes.

Navios petroleiros sendo parados em umpedágiocobrado em Bitcoin.
Clique na imagem abaixo e assista ao vídeo.
Pedágio em BITCOIN / O mundo não vai ser o mesmo

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