14 de Abril de 2026

Há exatamente cinco anos, em 14 de abril de 2021, a Coinbase fez história ao se tornar a primeira grande exchange de criptomoedas a ser listada em bolsa nos EUA. A empresa estreou na Nasdaq via listagem direta sob o ticker COIN, sem o processo tradicional de IPO. O preço de referência era US$ 250, mas as ações abriram a US$ 381, chegaram a US$ 429 e fecharam o dia a US$ 328, dando à empresa um valor de mercado de US$ 85,8 bilhões. O Bitcoin bateu recorde acima de US$ 63 mil naquele mesmo dia. Wall Street e cripto nunca mais seriam mundos separados para o bem ou para o mal.

Cinco anos depois, na mesma semana, a SEC encerrou os processos que ela mesma havia aberto contra a Coinbase. O Morgan Stanley lançou seu próprio ETF de Bitcoin. E o secretário do Tesouro dos EUA está pedindo ao Congresso que aprove regulação cripto o mais rápido possível. A empresa que em 2021 precisou convencer o mercado de que cripto era legítimo agora opera em um mundo onde bancos brigam para emitir stablecoins e governos correm para não ficar para trás.

US$ 1 bilhão

É o valor que a Strategy, de Michael Saylor, gastou em uma única semana para comprar 13.927 bitcoins, a um preço médio de US$ 71.902 por unidade. Com isso, a empresa agora detém 780.897 BTC, quase 4% de todos os bitcoins que vão existir. O dinheiro veio da venda de ações preferenciais STRC. Enquanto praticamente todas as outras empresas que adotaram Bitcoin como reserva de tesouraria pararam de comprar em 2026, a Strategy acelerou. Segundo a CryptoQuant, as compras corporativas de BTC caíram 99% desde o pico de agosto de 2025, menos a Strategy, que compra no ritmo mais intenso em quase um ano.
fonte: Strategy / CoinDesk

👉 Pra colocar em perspectiva: 780.897 BTC é mais do que qualquer governo, fundo ou ETF detém. É mais do que os 577 mil BTC da BlackRock no IBIT. É mais do que as reservas estimadas de El Salvador, Butão e dos EUA combinadas. Uma única empresa listada em bolsa, financiada por emissão de ações, detém uma fatia do Bitcoin que nunca mais vai existir de novo.

Quer ir além dos posts? No YouTube, eu aprofundo tudo isso em vídeos, sem corte, sem pressa.

Irã passa a cobrar pedágio em Bitcoin de navios petroleiros no Estreito de Ormuz

Após o cessar-fogo condicional com os EUA anunciado em 8 de abril, o Irã começou a cobrar pedágio de navios petroleiros que cruzam o Estreito de Ormuz. Nessa rota passa cerca de 20% do petróleo mundial. O valor é de aproximadamente US$ 1 por barril transportado, o que pode chegar a US$ 2 milhões por navio carregado, o equivalente a cerca de 281 BTC por travessia. Autoridades iranianas citaram Bitcoin como meio de pagamento preferencial, já que stablecoins como USDT e USDC podem ser congeladas pelos emissores por exigência de sanções. Não há, até o momento, transação on-chain confirmada publicamente vinculada ao pagamento de pedágio.
fonte: Fortune / Financial Times / CoinDesk
👉 Um país em guerra, sancionado há 45 anos, escolheu Bitcoin pra cobrar pedágio na rota de petróleo mais importante do planeta. Não por ideologia. Por falta de alternativa. Eu fiz um vídeo inteiro sobre isso explicando o que aconteceu, por que isso muda tudo e o que significa pra quem entende o jogo. Pedágio em BITCOIN / O mundo não vai ser o mesmo

New York Times publica investigação apontando Adam Back como Satoshi Nakamoto

O jornalista John Carreyrou, o mesmo que derrubou a Theranos, publicou uma investigação de 12 mil palavras afirmando que o criador do Bitcoin é o criptógrafo britânico Adam Back, CEO da Blockstream e inventor do Hashcash. A análise usou IA para comparar 134 mil posts de listas de email de cypherpunks entre 1992 e 2008 com todos os escritos conhecidos de Satoshi. Back nega. A Blockstream chamou a reportagem de "interpretação circunstancial". A comunidade cripto reagiu com ceticismo.
fonte: New York Times
👉 Eu li a investigação inteira. E encontrei mais furos do que provas. O próprio linguista contratado pelo NYT disse que o resultado foi inconclusivo. O código do Back e o do Satoshi não se parecem. Eu gravei um vídeo destrinchando tudo: o que o NYT acertou, onde errou e por que eu acho que a gente nunca deveria descobrir quem é o Satoshi. Sai amanhã no canal do YouTube. Inscreve-se pra não perder.

Mercado Livre lança remessas internacionais sem tarifa usando stablecoin entre Brasil, México e Chile

O Mercado Livre ativou no app do Mercado Pago um sistema de remessas internacionais sem tarifa entre Brasil, México e Chile. A operação usa a stablecoin Meli Dólar, pareada ao dólar americano, com infraestrutura operada pela Ripio. O usuário envia em moeda local, o sistema converte em Meli Dólar no backend e o destinatário recebe na moeda do país dele. Sem intermediário bancário, sem tarifa, sem espera. Na mesma semana, a empresa encerrou a Mercado Coin, seu antigo token de fidelidade, concentrando toda a estratégia cripto na stablecoin.
fonte: Cointelegraph Brasil / SpaceMoney
👉 A maior empresa de e-commerce da América Latina, com centenas de milhões de usuários, acabou de transformar uma stablecoin em um trilho de remessa internacional gratuita. Sem te pedir pra abrir conta em exchange. Sem te explicar o que é blockchain. Você abre o Mercado Pago, manda dinheiro pro México e chega. O cara do outro lado nem sabe que passou por cripto. É assim que a adoção em massa acontece: quando a pessoa usa sem perceber. Enquanto o Congresso americano debate se stablecoin pode ou não pagar yield, o Mercado Livre já resolveu o problema real: mandar dinheiro entre países sem pagar pedágio pra banco.

SEC admite "falhas" e encerra processos contra Binance, Coinbase e outras cinco empresas cripto

A SEC publicou uma revisão anual de enforcement reconhecendo "falhas" em ações anteriores contra empresas de criptomoedas. O órgão classificou vários processos como baseados em "interpretações incorretas das leis federais de valores mobiliários" e encerrou sete ações desde fevereiro de 2025: Coinbase, Binance, Kraken, Consensys, Cumberland, Dragonchain e Balina. O relatório descreve o último ano como uma "correção de curso necessária", abandonando a postura de "regulação por enforcement" da gestão anterior sob Gary Gensler. O presidente atual, Paul Atkins, defende orientação prévia ao mercado em vez de punição retroativa.
fonte: The Block / CryptoSlate
👉 O mesmo órgão que gastou anos processando Binance, Coinbase e Kraken, torrando milhões de dólares do contribuinte americano, acabou de soltar um relatório admitindo que as bases jurídicas dos processos estavam erradas. Não "desatualizadas". Erradas. A SEC de Gary Gensler destruiu reputações, travou empresas, expulsou projetos dos EUA e agora o sucessor dele publica um papel dizendo que foi tudo um mal-entendido. Legal. E quem paga os anos de advogados? Quem devolve os projetos que foram embora pra Dubai, Singapura, Suíça? Ninguém. Zero responsabilização. Isso é governo funcionando como sempre funciona: quebra, depois pede desculpa, depois segue em frente como se nada tivesse acontecido. Pelo menos a guerra regulatória contra cripto nos EUA parece ter acabado. Pelo menos até o próximo político decidir que precisa de um vilão novo.

Japão reclassifica criptomoedas como instrumentos financeiros, no mesmo nível de ações e títulos

O gabinete japonês aprovou em 10 de abril uma emenda à Lei de Instrumentos Financeiros (FIEA) que reclassifica criptoativos como instrumentos financeiros, mesma categoria de ações e títulos públicos. A medida proíbe insider trading em cripto, exige divulgação anual obrigatória dos emissores e eleva penas para operação irregular para até 10 anos de prisão e multas de até ¥10 milhões (+- US$ 62.800). Em paralelo, o governo discute reduzir o imposto sobre ganhos de capital em cripto de até 55% para uma alíquota fixa de 20%, igualando ao tratamento dado a ações. Se aprovada pelo parlamento, a lei entra em vigor no ano fiscal de 2027.
fonte: CoinDesk / Bitcoin Magazine
👉 Enquanto o Brasil cria lei pra confiscar seu bitcoin antes de te condenar, o Japão faz o oposto: trata cripto como coisa grande. Mesma prateleira de ações. Mesma proteção contra insider trading. Mesma exigência de transparência. E de quebra, propõe cortar o imposto de 55% pra 20%. O Japão quer cobrar menos imposto pra atrair mais capital. Já o Brasil quer cobrar mais, vigiar mais e confiscar mais pra espantar todo mundo.
Cripto é ativo financeiro sério, e quem tratar como tal vai atrair o dinheiro. Quem tratar como caso de polícia vai ficar falando sozinho.

Direct Listing (listagem direta)

É quando uma empresa coloca suas ações na bolsa sem passar pelo processo tradicional de IPO. Num IPO normal, a empresa contrata bancos de investimento que definem o preço, compram as ações antes e revendem pro mercado. Na listagem direta, não tem intermediário. As ações vão direto pro mercado e o preço é definido por oferta e demanda no primeiro dia de negociação. Não tem preço combinado nos bastidores. Não tem banco escolhendo quem compra primeiro.

⚠️ Operação Atlantic: polícia de 3 países identifica US$ 45 milhões em fraudes cripto e congela US$ 12 milhões

Uma operação conjunta do Serviço Secreto dos EUA, da NCA do Reino Unido e de autoridades canadenses identificou mais de US$ 45 milhões em fraudes com criptomoedas e congelou US$ 12 milhões em fundos roubados. Foram mapeadas mais de 20 mil carteiras de vítimas em 30 países. O foco foram golpes de "approval phishing": a vítima recebe um pop-up ou alerta que parece vir de um app legítimo de cripto, pedindo para "aprovar" uma transação. Ao aprovar, o criminoso ganha controle total da carteira e drena tudo. A transação é irreversível. Mais de 120 domínios fraudulentos foram derrubados. Coinbase e Binance participaram como parceiros no rastreamento dos fundos.
fonte: U.S. Secret Service / The Block

🛡️ Regra de ouro: nunca aprove transações que você não iniciou. Se um pop-up aparecer pedindo aprovação, fecha. Se um site pedir pra conectar sua carteira e aprovar acesso, desconfia. Se parecer urgente, é golpe.

Navios petroleiros sendo parados em umpedágiocobrado em Bitcoin.
Clique na imagem abaixo e assista ao vídeo.
Pedágio em BITCOIN / O mundo não vai ser o mesmo

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