10 de Março de 2026

noventa e três anos, em 9 de março de 1933, Franklin D. Roosevelt assinava o Emergency Banking Act, em pleno pânico bancário nos Estados Unidos. O país vinha de uma onda de corridas bancárias tão forte que o governo precisou fechar temporariamente os bancos e criar uma base legal para reabrir apenas os que fossem considerados sólidos. A ideia era tentar restaurar a confiança num sistema que já estava balançando. Dias depois, o próprio Roosevelt foi ao rádio explicar à população por que os bancos tinham fechado e por que eles deveriam voltar a confiar no sistema.

Esses fatos históricos são ótimos porque arrancam a maquiagem do sistema. Antes do pânico, está tudo bem. Depois do pânico, vêm o “calma”, “confia”, “agora vai”, “o sistema está seguro”. Mas esse nem é o ponto principal. O ponto é que, quando a situação aperta, quem decide o que acontece com o seu dinheiro não é você. Sempre tem alguém no meio: banco, regulador, governo, autoridade monetária. E é justamente por isso que tanta gente olha para Bitcoin não só como investimento, mas como uma forma de sair desse arranjo onde a sua tranquilidade depende da estabilidade emocional do sistema inteiro.

20 milhões

Foi a marca atingida pela oferta minerada de Bitcoin nesta segunda, 9 de março de 2026. Com isso, mais de 95,2% de todo o BTC que um dia existirá já foi emitido, e resta cerca de 1 milhão de moedas para serem mineradas até por volta de 2140.
fonte: Blockchain

Escrito assim, parece só um número grande. Mas no Bitcoin, esse número tem peso de mais, meu amigo. Num mundo onde tudo muda toda hora, tem algo mais desconcertante que olhar para um sistema monetário e perceber que ele continua obedecendo exatamente ao que foi combinado?
O cronograma continua ali, frio, previsível, indiferente à vontade de governo, banqueiro ou mercado. Já passaram de 20 milhões; sobra menos de 1 milhão, e mesmo esse resto vai pingar devagar por mais de um século. É esse tipo de escassez que faz muita gente parar e pensar: “peraí… então aqui o jogo é outro mesmo”.

Quer ir além dos posts? No YouTube, eu aprofundo tudo isso em vídeos, sem corte, sem pressa.

Drex segue em testes, com privacidade ainda no centro do projeto

O Banco Central segue testando o Drex em ambiente restrito e deixou claro que a questão da privacidade continua sendo uma das partes mais sensíveis do projeto. A segunda fase já foi encerrada, mas o BC ainda não definiu uma data oficial de lançamento. Ou seja: o Drex continua avançando, mas ainda não saiu do laboratório para a vida real.
fonte: Banco Central do Brasil
👉 ATENÇÃO o Drex não nasce para te dar mais liberdade. Nasce para dar mais capacidade de controle ao sistema. Vem embalado como inovação, eficiência, modernização… mas, por trás do marketing, o que está sendo construído é um dinheiro muito mais rastreável, muito mais programável e, portanto, muito mais obediente ao interesse de quem aperta os botões. Hoje a conversa é sobre privacidade. Amanhã pode ser limite de uso, bloqueio por categoria, restrição geográfica ou até data de validade. Esse é o ponto que muita gente finge não ver: quando o dinheiro vira software estatal, ele deixa de ser só dinheiro e passa a ser ferramenta de controle. Pode até ser útil pro sistema. Mas não confunde isso com liberdade financeira, porque é justamente o oposto.

Clear lança stablecoin USDXP atrelada ao dólar no Brasil

A Clear, corretora do grupo XP, lançou a USDXP, uma stablecoin com paridade de 1 para 1 com o dólar. Segundo as reportagens, ela roda na blockchain Rayls, fica inicialmente restrita à plataforma da corretora e foi apresentada como uma forma de dar exposição cambial sem IOF dentro desse ambiente.
fonte: InfoMoney / E-Investidor
👉 Pegam uma das maiores dores do brasileiro, que é perder poder de compra em reais, e empacotam uma solução digital, prática, limpinha, com cara de futuro. E eu entendo o apelo do ponto de vista de produto. O problema é que muita gente vai olhar pra isso e pensar “pronto, resolvi minha dolarização”. Não resolveu! Você não está saindo do sistema; está só comprando uma versão tokenizada dele, dentro da plataforma de uma corretora, com custódia, governança e regra definida por terceiros. Pode ser útil? Até pode. Mas não confunde conveniência com soberania. Stablecoin de corretora é uma ferramenta. Liberdade financeira é outra conversa.

Ripple amplia plataforma de pagamentos com stablecoins e inclui Banco Genial na operação a partir do Brasil

A Ripple anunciou a expansão da sua plataforma de pagamentos para unir moeda fiduciária e stablecoins na mesma infraestrutura, com foco em bancos, fintechs e empresas que fazem transferências internacionais. No anúncio, a empresa citou o Banco Genial como parceiro para operações saindo do Brasil, dentro de uma estratégia maior de crescimento global em pagamentos com liquidação mais rápida.
fonte: Ripple / Cointelegraph Brasil
👉 Essa é mais uma daquelas notícias que mostram o sistema absorvendo, com todo prazer do mundo, aquilo que ele antes tratava como ameaça. Volto a dizer que a stablecoin não entra aqui como ferramenta de liberdade, entra como trilho novo para o velho jogo: banco, instituição, intermediário, compliance, controle. Fica mais rápido? Fica. Fica mais eficiente? Provavelmente. Mas continua tudo dentro da cerca. É o financeiro tradicional colocando blockchain para trabalhar a favor dele, não a favor da sua soberania. E esse é um ponto importante: nem toda adoção é libertadora. Muita adoção é só o sistema ficando mais moderno… e mais eficiente em continuar sendo sistema.

Pix entra na mira de uma investigação comercial aberta pelos EUA contra o Brasil

Os Estados Unidos abriram uma investigação comercial contra o Brasil, e o Pix apareceu como um dos pontos sob escrutínio no caso. A apuração foi aberta pelo USTR e trata de práticas comerciais brasileiras em áreas como comércio digital e serviços de pagamento eletrônico. Ou seja: não foi uma investigação “contra o Pix” isoladamente, mas o sistema de pagamentos brasileiro entrou, sim, na mira dos americanos.
fonte: Reuters / USTR
👉 Essa notícia é a prova de que o Brasil pode fazer coisas bem feitas: quando um país cria uma infraestrutura pública eficiente, barata e que funciona bem demais, alguém vai se sentir ameaçado. O Pix funciona. Ele corta intermediário, derruba taxa, reduz dependência e mostra que dá pra montar trilho financeiro sem deixar tudo nas mãos do cartel das bandeiras de cartões. Aí, de repente, aquilo que era “inovação” vira “possível prática injusta”. Que coincidência, né? Liberdade de mercado costuma ser linda no discurso… até o momento em que o mercado livre começa a atrapalhar quem estava acostumado a mandar nele.

Visa e Bridge querem expandir cartões ligados a stablecoins para mais de 100 países

A Visa e a Bridge anunciaram a expansão da parceria para levar cartões vinculados a stablecoins a mais de 100 países. A operação já existe em parte da América Latina e a proposta é permitir que usuários gastem saldo em stablecoin em estabelecimentos que aceitam Visa, enquanto a conversão para moeda local acontece na infraestrutura por trás do cartão.
fonte: Visa / CoinDesk
👉 Não tem como negar que stablecoin está deixando de ser coisa de nicho e entrando cada vez mais no sistema tradicional de pagamentos. Isso pode acelerar bastante o uso no dia a dia, principalmente para quem quer gastar dólar digital com mais facilidade. Mas também mostra o movimento natural do mercado: tudo o que cresce o suficiente acaba sendo puxado para dentro da estrutura clássica de cartão, bandeira e intermediário.

Drex

O Drex é a versão digital oficial do real, criada pelo Banco Central. Diferente do Bitcoin, ele não é descentralizado, não tem oferta limitada e não existe para tirar poder do sistema. Pelo contrário, ele nasce dentro da estrutura estatal, com total integração ao sistema bancário e com potencial para ser programável.
O Drex não é “criptomoeda do governo”. É dinheiro digital estatal. E justamente por isso ele levanta um debate importante: se o dinheiro vira software controlado por autoridade central, ele pode carregar regras embutidas, como rastreamento, limite de uso, bloqueios e outras condições definidas de cima pra baixo.

⚠️ Novo golpe mira quem já caiu em golpe: agora os criminosos se passam por polícia e “especialistas em recuperação”

Autoridades no Canadá alertaram para um golpe em que criminosos entram em contato com vítimas antigas de fraude em cripto dizendo que localizaram os fundos roubados e que podem ajudar a recuperar o dinheiro. Em alguns casos, eles usam marca da polícia, fingem ser investigadores ou advogados e pedem pagamentos antecipados ou mais dados da vítima para “liberar” a recuperação.
fonte: RCMP / Times Colonist / Decrypt

🛡️ Regra de ouro: Quem perdeu cripto em golpe vira alvo prioritário para o chamado recovery scam. Polícia não cobra para investigar, não pede cripto para “destravar” recuperação e não trabalha com “empresa parceira” que promete trazer seu dinheiro de volta. Se alguém te procurar do nada dizendo que encontrou seus fundos, a chance de ser golpe é enorme.

Essa edição inteira aponta para a mesma pergunta:
Quando o dinheiro vira instrumento de controle, o que resta de liberdade?
Clique na imagem abaixo e assista a esse meu vídeo para entender melhor
BITCOIN vs ESTADO — Isso aqui não é uma história somente do Irã

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